Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007

Ser Errante

...borboletas saltitantes...chuva fininha na cara...cheiro a terra molhada...

Recordações.

Mergulhei em ti e tu deixaste.

O meu corpo ainda tem o teu cheiro, a tua forma ainda está em mim e o desejo de te ter novamente aumenta cada minuto que passa.

Abro a janela a ver se te vejo.

Nada.

Vazio.

Vultos errantes em busca de ser.

E eu à procura do Ser Errante no meio de vultos anónimos...mas não te encontro. Provavelmente estarás com os teus rabiscos ou a cavalo ao sabor do vento, a fugir das pessoas...

Envio-te um poema...este post é para ti Ser Errante.

 

Este amor

Tan violento

Tan fragil

Tan tierno

Tan desesperado

Este amor Bello como el dia Y malo como el tiempo

Cuando hace mal tiempo

Este amor tan verdadero

Tan feliz

Tan gozoso I tan irrisorio

Tiembla de miedo como un bebe en la oscuridad

PREVERT

publicado por Sara Rocha às 11:02
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Segunda-feira, 5 de Fevereiro de 2007

SEM NOME



" Era tão pequeno

que ninguém o via.

Dormia sereno

enquanto crescia.

Sem falar, pedia

- porque era semente -

ver a luz do dia

como toda a gente.

Não tinha usurpado

a sua morada.

Não tinha pecado.

Não fizera nada.

Foi sacrificado

enquanto dormia,

esterilizado

com toda a mestria.

Antes que a tivesse,

taparam-lhe a boca

- tratado, parece,

qual bicho na toca.

Não soltou vagido.

Não teve amanhã.

Não ouviu "Querido"...

Não disse "Mamã"...

Não sentiu um beijo.

Nunca andou ao colo.

Nunca teve o ensejo

de pisar o solo,

pezito descalço,

andar hesitante,

sorrindo no encalço

do abraço distante.

Nunca foi à escola,

de sacola ao ombro,

Nem olhou estrelas

com olhos de assombro.

Crianças iguais

à que ele seria,

Não brincou com elas

nem soube que havia.

Não roubou maçãs,

não ouviu os grilos,

não apanhou rãs

nos charcos tranquilos.

Nunca teve um cão,

vadio que fosse,

a lamber-lhe a mão

à espera do doce.

Não soube que há rios

e ventos e espaços.

E invernos e estios.

E mares e sargaços.

E flores e poentes.

E peixes e feras –

as hoje viventes

e as de antigas eras.

Não soube do mundo.

Não viu a magia.

Num breve segundo,

foi neutralizado

com toda a mestria.

Com as alvas batas,

máscaras de entrudo,

técnicas exactas,

mãos de especialistas

negaram-lhe tudo

( o destino inteiro...)

- porque os abortistas

nasceram primeiro."

(Renato de Azevedo)
publicado por Sara Rocha às 12:34
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