Segunda-feira, 14 de Maio de 2007

Papel que Voa

 

 

Papel no chão

Molhado da chuva

Com letras que choram

Abafam palavras

Segredos de ti

Segredos de nós

O papel molhado

Leva-o o vento

Que sopra com força

Restos de tinta

Ficaram no chão

Memórias nas pedras

Pintadas de azul

As tuas palavras

Que eram p’ra mim

Voaram com lágrimas

De chuva quentinha e cheiro a terra

Pedaços de branco

Papel que voa

Leva segredos

Voo com ele

Para longe de ti.

publicado por Sara Rocha às 11:38
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3 comentários:
De Banderas a 18 de Maio de 2007 às 00:47
De Fernando Pessoa ...

O pastor amoroso perdeu o cajado,
E as ovelhas tresmalharam-se pela encosta,
E, de tanto pensar, nem tocou a flauta que trouxe para tocar.
Ninguém lhe apareceu ou desapareceu... Nunca mais encontrou o cajado.
Outros, praguejando contra ele, recolheram-lhe as ovelhas.
Ninguém o tinha amado, afinal.
Quando se ergueu da encosta e da verdade falsa, viu tudo:
Os grandes vales cheios dos mesmos vários verdes de sempre,
As grandes montanhas longe, mais reais que qualquer sentimento,
A realidade toda, com o céu e o ar e os campos que existem,
E sentiu que de novo o ar lhe abria, mas com dor, uma liberdade no peito.

De Banderas a 17 de Maio de 2007 às 23:46
O seu a seu dono.

O poema é de Fernando Pessoa in "O Pastor Amoroso".
De Anónimo a 17 de Maio de 2007 às 23:40
O calor secou-me ...

Já que voaste com o papel para longe de mim ... ficam os sonhos!

Quando eu não te tinha
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo...
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima.
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor...
Tu não me tiraste a Natureza...
Tu não me mudaste a Natureza...
Trouxeste-me a Natureza para ao pé de mim.
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as cousas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou.

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